Carjacking em Portugal

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Judiciária abre guerra ao "carjacking"

Grupos permanentes saem de imediato para investigar o local do crime

A Polícia Judiciária abriu guerra ao carjacking - roubo de automóvel ameaçando ou agredindo o condutor - e conseguiu reduzir para cerca de 70 o número de casos denunciados este ano. O combate a este tipo de crime foi intensificado depois de em 2004 se terem registado cerca de 180 casos, quase o dobro da centena de 2003.

Para fazer face à situação e tentar invertê-la, a PJ investiu fortemente na Secção de Roubo, criando grupos permanentes de investigação, que são mobilizados de imediato para o local do crime para recolher pistas e testemunhos.

"É preciso fazê-lo o mais cedo possível antes que as vítimas esqueçam pormenores das características dos assaltantes e desapareçam do local vestígios importantes, como impressões digitais ou uma simples ponta de cigarro contando ADN de um dos criminosos", explicou ao DN o coordenador da Secção de Roubo da PJ de Lisboa, Leitão dos Reis. Por isso mesmo, aconselha as vítimas a alertarem logo a PJ.

E esta luta contra o carjacking já deu resultados. O número de detenções "aumentou exponencialmente, a maioria das viaturas roubadas tem sido recuperada e o número de crimes diminuiu, porque os seus autores estão presos", disse o mesmo responsável. Na sua opinião, estas detenções "também servem como medida dissuasora, levando outros a decidir não assaltar para não se arriscarem a ser também apanhados".

As viaturas roubadas têm sido recuperadas, porque os assaltantes, após serem detidos, acabam por revelar onde as deixaram. Normalmente, os veículos estão danificados, porque foram entretanto utilizados para praticar outros crimes, como assaltos a postos de combustível ou a outros estabelecimentos.

fuga. De facto, e segundo o mesmo responsável, "a maioria dos carros roubados destina-se a servir para consumar outros crimes, motivo pelo qual os assaltantes preferem viaturas de alta cilindrada que permitam fugir a elevadas velocidades. No topo da lista dos roubos surgem marcas como Audi, BMW e Mercedes. Veículos todo-o-terreno também têm boa procura, porque possibilitam fugir por caminhos inacessíveis a outras viaturas".

A origem do carjacking estará relacionada com a evolução dos sistemas de segurança dos automóveis, que os bloqueiam e impedem o velho truque da ligação directa. Como só é possível pôr o carro a funcionar com a respectiva chave, a solução é roubá-la, ameaçando ou agredindo o condutor, e levar também os documentos da viatura. Na maioria dos casos, refere Leitão dos Reis, "antes de fugirem com o carro, obrigam a vítima a acompanhá-los a uma caixa multibanco e levantar dinheiro para eles".

O mesmo responsável da PJ salienta que o carjacking ainda tem a vantagem de ser "um crime que se consuma rapidamente, em poucos segundos, contrariamente ao furto de uma viatura estacionada sem ocupantes, que é muito mais demorado, pois implica forçar a fechadura e fazer a ligação directa".

O carjacking, importado dos EUA, chegou a Portugal há uma década, registando-se principalmente na grande Lisboa (Olivais e Benfica, Telheiras, Lumiar, linhas de Sintra e de Cascais e no concelho de Loures) e grande Porto.

As vítimas são abordadas durante a noite - principalmente entre a 01.00 e as 02.00 -, quando as estradas se encontram mais desertas e há menos probabilidade de alguém testemunhar os crimes.

Leitão dos Reis revela que um dos métodos mais utilizado consiste em atacar as viaturas que param no semáforo vermelho. Apontam uma pistola ou caçadeira ao condutor e obrigam-no a passar para o lugar do pendura. Um dos assaltantes pega no volante e outro senta-se atrás para coagir a vítima a não reagir. O carro de apoio com o terceiro elemento segue-os. Param no multibanco, obrigam a vítima a levantar dinheiro, apoderam-se das notas e fogem com o carro, deixando-a apeada. Depois de utilizarem o carro para outros assaltos acabam por abandoná-lo.

Outros métodos consistem em abordar as vítimas quando saem do carro ou quando se dirigem para ele. Atacam também casais a namorar dentro do carro em locais isolados. Por vezes simulam acidentes, colidindo na traseira da viatura da vítima, que pára para ver o que sucedeu.

Na maior parte dos casos, os carros destinam-se à prática de assaltos ou para substituir um automóvel acidentado com as mesmas características. Por vezes os veículos são desmontados para se aproveitar as peças. O tráfico de veículos é mínimo, porque exige uma boa organização, implicando compradores e falsi- ficação de documentos e números de chassis e de motor.

Também há casos de carjacking só para passear, dar umas voltas e abandonar o veículo.
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